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Wednesday, October 15, 2014

Amsterdam - Red Light District

A primeira viagem de 2014 foi para Amsterdam. Um lugar que eu já queria conhecer desde que me mudei para a Europa, mas a viagem era sempre adiada por algum motivo.

Dessa vez não tinha mais desculpa e assim que voltei das férias em Campos do Jordão, no Brasil, eu comprei minha passagem de trem. Adoro quando consigo passagens baratas de trem por aqui, assim consigo levar minha mochila (que não é leve) sem me preocupar com peso extra.


A parte difícil do planejamento foi escolher um albergue. A princípio foi fácil, achei uma lista no Google de albergues e hotéis, todos pareciam apresentáveis e tinham água quente. Porém, comecei a ler comentários e review sobre cada um deles e todos, sem exceção, tinham reclamações de ratos e sujeira nos quartos. Demorei mais de uma semana e quase desisti, até que um amigo do meu namorado indicou o nome do albergue que ele ficou e achou ótimo.

E não me arrependi. Ficamos no Flying Pig Hostel, em quarto compartilhado com 10 camas. O quarto e banheiro são limpinhos, água quente, ambientes confortáveis e o mais legal era o bar/restaurante ao lado da recepção. Tudo naquele estilo Pub, com música de fundo e no final da tarde todo mundo descia para beber e fazer o esquenta pré balada. Achei interessante que todo lugar em Amsterdam tem a parte exclusiva para os fumantes de maconha e é a cena mais normal do mundo ver alguém enrolando um baseado.

Primeiro dia na Holanda foi cansativo. Sem dinheiro para o táxi e carregando duas mochilas pesadas, uma nas costas e outra na frente, lá fomos nós andar até o albergue. Uma hora e meia depois, chegamos, e a primeira coisa a fazer foi pegar informações e mapa sobre o transporte público.

O Transporte público em Amsterdam é muito bem organizado e você tem a opção de Trem, Bonde (estilo U-Bahn da Alemanha) e ônibus. Aqui nesse site você pode achar mais informações sobre os horários de trem: http://www.gvb.nl/pages/home.aspx. Os ônibus apesar de mais baratos, são limitados, com um trajeto restrito. Por isso, o melhor a fazer, é pegar um mapa assim que chegar.

Amsterdam é exatamente como todo mundo fala. Uma loucura.. literalmente. Eu adorei e moraria fácil nessa cidade. Achei os holandeses super simpáticos e a cidade, apesar de movimentada, me agradou muito. Quem me conhece sabe que sou muito difícil de gostar de cidades grandes, mas Amsterdam chamou minha atenção com todo aquele charme de cidade pequena.

Claro que logo na primeira noite fomos até o famoso Red Light District. Para quem não sabe na Holanda a prostituição é legalizada. As garotas de programa são consideradas trabalhadoras como qualquer outra pessoa, com direito a seguro médico e tudo mais. Pode parecer estranho, mas foi um jeito de controlar e deixar essa atividade mais segura, tanto para as garotas como para os marmanjos.


O nome Red Light District não indica só esse bairro em Amsterdam (apesar desse ser o mais famoso), mas também outros pontos de prostituição em outros países. E esse nome se deve ao fato de todas as cabines possuírem luz vermelha. Aqui mesmo, na minha cidade, tem um caminho de luzes vermelhas em uma avenida do centro indicando o caminho para o Red Light District daqui.



É interessante caminhar por esse bairro, e chega a ser engraçado também. Eu fui duas vezes ao mesmo dia. Uma ainda estava de dia, portanto tinham poucas garotas nas vitrines, e nesse momento eu até me assustei, pois só tinham vovós. Sério, não estou exagerando.. pensa na sua avó pelada, mostrando o corpo numa vitrine com luz vermelha (ou melhor: não pensa). “Isso não pode ser sério” foi a primeira coisa que veio na minha cabeça. E meu namorado querendo ver as Holandesas loirinhas se decepcionou.

Assim que anoiteceu decidimos voltar, até porque o clima noturno do bairro Wallen muda tudo. A rua não possui só as vitrines, mas também diversas boates de strip tease ou sexo ao vivo. Dei uma olhada nos preços e a entrada estava em torno de 50 euros. Muito caro, ainda mais para nós que gostamos de gastar 3 euros em cada refeição. Assim que anoitece é quando as vitrines ficam lotadas de garotas, algumas muito bonitas. E até vimos um cara saindo de uma das vitrines e alguns metros à frente entrando em outra.

Tentamos tirar fotos, mas já vi relatos que é proibido tirar foto e que existem seguranças disfarçados na rua que já quebraram celular de turista que estava filmando. Então a única coisa que saiu foi esse borrão vermelho. Depois disso ficamos com medo de tentar de novo.


Tudo no bairro de Wallen é relacionado a sexo. E todas as lojas de souvenires têm todos os tipos de lembrancinhas sexuais. Desde camisinhas de todas as formas, cores, tamanhos, que brilha no escuro, com desenho e afins, até canecas sexuais, camisetas e brinquedinhos para os casais. E claro, toda loja tem aquele cachimbo básico. Ou melhor, aquela infinidade de opções de cachimbos.


Mas também existem muitas baladas normais, sem sexo ao vivo ou prostituição. É comum nos albergues venderem o “pacote balada”. Você paga em torno de 25 euros e vai junto com um grupo de turistas do mesmo hotel conhecer quatro baladas, com alguns drinks de graça. Eu acho que vale a pena para quem está sozinho e quer curtir.

Assim que chegamos do Red Light District, fomos para o bar do albergue, beber cerveja. Tinham só quatro tipos de cerveja e como meu pai está estudando para ser um mestre cervejeiro, eu decidi experimentar uma de cada. A vencedora não só da noite, como a mais gostosa que eu já tomei, foi a Hoegaarden.



Como dia seguinte eu tinha que acordar as 5 da manha para ir trabalhar em outra cidade (outro post vou falar sobre isso), eu não fui pra balada, e logo depois da cerveja fui capotar na cama.

Obviamente Amsterdam não se resume só ao bairro do Red Light District, prostituição e maconha. Essa cidade é MUITO mais do que isso, me encantou de todos os jeitos. E nos próximos posts vou falar mais sobre ela!!

Tuesday, October 7, 2014

O meu mar em Fúria - Helgoland

Meu último dia em Helgoland foi marcado por chuvas, vendavais e trovoadas. Tentei aproveitar os únicos momentos de sol em Lange Anna, mas 20 minutos depois tive que sair correndo e me abrigar em algum lugar. 




Viagens de baixo custo costumam ter bastante desconforto e nesse dia tive que fazer o check out do Guesthouse às 10 da manha e o horário do barco era só às 5 da tarde. Sem ter onde ficar ou que fazer, eu procurei um lugar coberto para sentar e esperar. O frio estava absurdo e a espera foi uma eternidade.
Finalmente entrando no barco, fui para o restaurante e procurei um sofá pra sentar e aproveitar duas horas de conforto até o continente. Mas, o que aconteceu foi um dos piores perrengues da minha vida.



O barco começou a balançar forte, logo no começo da viagem. Como estávamos no primeiro andar, a janelinha quase entrava toda dentro da água de tanto que o barco virava. Eu aproveitei e fui para a parte de fora fazer algumas fotos. Até então eu estava achando divertido, até porque meu namorado começou a ficar paranoico falando que o barco ia virar e nós tínhamos que ir pra um lugar fácil de pular na água se caso algo acontecesse. Achei engraçado o drama, mas depois quem deu show fui eu!

Consegui fazer algumas fotos da Ilha, mesmo com o balanço do mar. O céu estava uma mistura de azul com preto, a chuva estava ralinha e um lindo arco-íris se formou. Mas as ondas estavam cada vez maiores e começou a invadir o barco. Era impossível andar sem ser jogado para o lado e cair em cima de todo mundo.






Assim que desci para guardar minha câmera, senti a tontura e os primeiros sinais do meu estômago. Nesse momento eu já sabia que ia ter problemas.

Normalmente eu passo mal em embarcações, então eu sempre tomo algo para evitar enjoos e sempre dá certo. Dessa vez eu não tomei nada, pois a ida tinha sido tranquila e eu esqueci. Ainda por cima eu decidi tomar um café assim que entrei no barco. Inocente e trágico erro! Nunca façam isso!

Não demorou nem 10 minutos para eu correr para o banheiro e vomitar litros. Mas o balanço do barco era tanto que eu fui jogada de um lado para o outro da cabine do banheiro e acabei vomitando em tudo!!!!

Saí e me joguei no sofá. Depois de alguns segundos foram mais umas duas idas para o banheiro.
Pelo menos 50% das pessoas que estavam no barco (eram muitas) estavam vomitando também. Todas na parte de cima, no último andar do barco, onde todas as janelas estavam abertas e o vento e o frio ajudam a diminuir o enjoo. Corri pra lá. Ou melhor, fui carregada por um marinheiro e pelo meu namorado.

Para não estender muito nos detalhes nojentos, só resumo que eu vomitei muito mais ainda. Todo mundo estava usando aqueles sacos de papel, especial pra essas ocasiões. Eu devo ter usado uns três ou quatro.
O problema de passar mal é que eu estava perdendo o controle do meu corpo, minha cabeça estava começando a girar e quando isso acontece eu começo a ficar nervosa. Meus braços começaram a formigar e minhas mãos fecharam em formato de punho e travaram. Eu não conseguia mais abrir as mãos.

A situação começou a me deixar mais nervosa ainda quando eu não consegui mais segurar os sacos e precisei de ajuda pra vomitar. Minha mão estava travando cada vez mais e começando a doer porque a unha estava fincada na palma da mão.

Um dos marinheiros, que eu já tinha conversado antes, viu minha situação e foi me levar um pouco de água com gás pra beber. Eu tentei explicar a situação pra ele, naquela hora não queria sair nem alemão e nem inglês. Mas assim que ele pegou minha mão e viu o estado (estavam duras) ele ficou preocupado e foi chamar mais gente.

Cinco homens apareceram pra me socorrer. Como ele só tinha visto meu braço esquerdo, o cara pensou que eu estava tendo um ataque do coração. Me colocaram deitada em um banco, com pernas e braços pra cima e começaram a fazer trilhões de perguntas sobre a minha saúde e se eu tinha problema de coração, qual medicamento tomava e por ai vai. Disse que não tinha problema nenhum, então eles começaram a tentar abrir as minhas mãos.

O bom dessa parte é que o enjoo estava melhor, a água com gás realmente fez bem e me senti aliviada. Depois de uns 5 minutos, dois homens que estavam segurando minhas mãos conseguiram abri-las e ficaram segurando pra não fechar de novo.
Todo mundo muito simpático e até o capitão do barco veio falar comigo e ver se estava tudo bem. Eles ainda estavam achando que era um ataque do coração.
Depois disso comecei a me sentir melhor cada vez mais e sempre vinha alguém perguntar se eu estava melhor.

Para vocês terem noção do quanto eu estava ruim: minha mochila com todo meu equipamento fotográfico estava sozinha no primeiro andar do barco, jogada em um sofá, sem cadeado e nem nada. Eu nunca desgrudo dela e dessa vez eu não tinha forças nem pra lembrar que alguém poderia roubar algo. Por sorte só tinha alemão dentro do barco!

Quando finalmente cheguei em casa, foi necessário uma semana só comendo e dormindo pra me recuperar dessa. Não tenho nem ideia do que aconteceu comigo, alguém tem algum palpite??

Saturday, October 4, 2014

Helgoland - Lange Anna e Düne

Apenas 70 km do continente, Helgoland parece um pontinho perdido no meio do mapa. Mas vale a pena enfrentar a turbulência do mar norte para ver de perto as belezas naturais que a ilha oferece.

Fazendo as minhas pesquisas para a viagem eu achei alguns sites dizendo que precisava de visto para entrar na ilha. Brasileiros não precisam de visto para entrar na Alemanha e podem permanecer por no máximo três meses como turistas. Mas para Helgoland precisava de visto, pode ser de estudante ou mesmo um visto de residência. Eu não me aprofundei nesse assunto, pois não preciso de visto, mas fui preparada com passaporte e em nenhum momento ninguém pediu meus documentos, ou passamos por qualquer tipo de controle dos turistas.

Helgoland é pouco conhecido entre os turistas e na ilha quase ninguém fala inglês, basicamente é a casa de verão dos Alemães. Pode ser que dependendo da época e se a ilha estiver muito cheia eles façam algum tipo de controle de quem entra. Vale a pena pesquisar para não perder a viagem.

Apenas cinco minutos de barco de Helgoland, está localizado Düne; uma ilha ainda menor e mais isolada, onde as focas, com todo seu sedentarismo escolheram como casa definitiva. Longe de qualquer perigo, as focas cinzentas e focas comuns vivem juntas, dividindo apenas uma parte da praia.


 



Basta uma caminhada pela Ilha de Düne, para ver a maior concentração de focas cinzentas e focas comuns da Alemanha. Quem ouve essa frase, logo pensa em filhotes gordinhos e fofinhos, e é justamente isso que irá encontrar, dependendo da época do ano. Fui em setembro e vi vários bebezinhos lindos.

A Alemanha tem se tornado um local atrativo para as focas e durante os últimos dez anos sua população teve um aumento significativo no país, resultado de muito esforço de conservacionistas e biólogos.
As águas ao redor de Helgoland receberam o titulo de Reserva Natural (Naturschutzgebiet Helgoländer Felssockel) servindo como um berçário para as mamães que vão para se reproduzir. Junto com uma das estações de reabilitação e pesquisa de focas na Alemanha, a Seehundstation Friedrichskoog, especialistas monitoram as populações de focas constantemente, faça chuva ou faça sol, para catalogar novos filhotes ou levar para a reabilitação animais machucados e doentes. A intenção é que a população de focas na Alemanha aumente cada vez mais.



Atualmente, cada filhote que nasce recebe um nome e é motivo de comemoração entre os especialistas e viram até notícia de jornal.

Para ir até Düne é fácil; só pegar um barco no píer de Helgoland. O ticket de ida e volta custa 7 euros e os barcos saem de meia em meia hora. Mas tem que prestar atenção, pois o último barco sai às 6 da tarde.
Com várias trilhas no meio da vegetação e muitos lugares calmos na praia no meio das focas Düne é o lugar perfeito para quem gosta de natureza.
Mas esse não é o lugar mais famoso da Ilha. Quando se menciona o nome Helgoland na Alemanha logo o assunto entra em Lange Anna.

Quando disse pro meu avô (que é alemão) que eu ia fazer essa viagem, a primeira coisa que ele me disse foi “Vai para Lange Anna, é cheio de pássaros”! É a família inteira me conhece bem!
Depois de ouvir umas três vezes que eu ia amar as aves de Lange Anna eu comecei a ficar desesperada pra viagem chegar logo!



Lange Anna é considerado a menor Reserva Natural da Alemanha, e consiste em uma rocha de 47 metros erguida no mar, em frente a um enorme rochedo de Helgoland. Não é permitido subir no rochedo de Lange Anna, mas após fazer uma trilha bem demarcada, os visitantes podem ficar cara a cara com a rocha, e ver de perto as aves, que de tímidas não tem nada. Durante diferentes épocas do ano as aves marinhas encontradas em Lange Anna são: Arau comum (Uria aalge), Torda mergulheira (Alca torda), Gaivota (Rissa tridactyla), Fulmar glacial (Fulmarus glacialis) e o Ganso Patola (Morus bassanus).



A espécie mais fácil de observar durante o ano inteiro é o ganso patola. Uma ave por vezes desengonçada e engraçada, por vezes com olhar intenso e determinado, mas no geral muito fotogênica e ao que pareceu adora posar na frente da câmera.

 






A caminhada até Lange Anna não é longa e pode ser bem prazerosa. No meu caso tudo relacionado a essa viagem foi tenso. Choveu desde o dia seguinte que eu cheguei à ilha e por ser localizada no meio do mar do norte os ventos são extremamente fortes.



Eu consegui ir duas vezes para Lange Anna, a primeira vez o tempo deu uma brecha e eu consegui alguns momentos de sol, mas na segunda eu quase fui levada pelo vento e tive que ir embora correndo por causa da forte chuva e do frio. Mas os poucos momentos que eu passei lá valeram a pena e fizeram eu me apaixonar pelo ganso patola, que hoje é um dos meus animais favoritos e estou sempre procurando colônias deles pelo mundo afora.

Para saber mais sobre biologia dos animais, conservação das focas e como foi viajar para Helgoland para encontrar eles de pertinho, veja minha matéria na Revista Terra da Gente edição de maio de 2014. Aqui o link: http://www.revistaterradagente.com.br/noticias/NOT,0,0,948059,Fofa+e+Protegida.aspx

Thursday, October 2, 2014

Helgoland - A Ilha pérola do Mar do Norte

Depois de quase um ano sem postar estou voltando ao blog, com muitas estórias, perrengues e fotos novas. Esse ano foi uma loucura (boa) com relação ao trabalho. Foi o melhor ano na verdade e em um próximo post vou falar sobre isso e sobre o porquê dei uma longa pausa no blog.

Mas, hoje vou falar de uma viagem do ano passado, que foi até matéria de revista. Mas como o foco era sobre os animais e conservação, o perrengue “divertido” ficou de fora.

Helgoland é uma pequena ilha no norte da Alemanha. Pequena mesmo, em metade de um dia você conhece tudo. Eu já estava querendo conhecer esse lugar fazia uns dois anos, mas por alguma razão desconhecida eu não estava conseguindo planejar. Na verdade eu demorei pra encontrar o nome certo dessa ilha, sempre que eu tentava procurar passagens as pesquisas me mandavam pra outros lugares do mundo. Foi um belo dia, olhando fotos de fotógrafos na internet que eu encontrei fotos de foquinhas em Helgoland. Joguei o nome no google e Voilá, achei tudo o que eu precisava. Marquei a viagem para um mês depois.

Não é tão difícil planejar uma viagem pra Helgoland, principalmente se você já está na Alemanha. Precisa ir para Bremen ou para Hamburg, pegar um trem dessas cidades para a cidade portuária e de lá pegar um barco para a ilha.

Eu escolhi ir por Bremen. Foi uma das viagens mais cansativas que eu já fiz, pois foi de madrugada e com muitas horas de espera entre um trem e outro. Em uma das paradas tivemos que esperar em torno de 4 horas o próximo trem e as estações não tem muitos lugares confortáveis pra sentar. Aliás, ao contrário dos aeroportos, não existe nenhum lugar confortável. O jeito foi deitar no chão e tentar dormir, como um sem teto mesmo.

Uma hora depois que eu estava estendida no chão duro, passando frio, tentando dormir, a estação lotou de pessoas voltando da balada. As lojas abriram e não foi nada confortável ficar jogada no chão no meio da muvuca. Então dormir ficou fora de questão.
Finalmente chegou a hora e entramos no trem. A viagem toda até o porto “Bremenhaven” (de onde peguei o barco) foi em torno de 12 horas. Imagina que loucura, 12 horas dá pra ir quase até o Brasil e eu só fui até o norte da Alemanha. Detalhe: eu estava em Stuttgart.

A empresa de barcos até Helgoland é a Reederei Cassen Eils. Tem restaurante e alguns sofazinhos confortáveis, onde eu dormi e não queria mais acordar. Foi tudo muito tranquilo e depois de uma eternidade que eu saí de casa, cheguei à ilha.

Helgoland lembra um pouco cidades da Noruega e Islândia, com casinhas pequeninas e coloridas. Embora pequena, tem muitas opções de restaurantes e muitas lojas de roupas e souvenir. Essa ilha é considerada a pérola do mar do norte e lugar muito comum de viagem para os Alemães. Não existem carros na ilha, por isso também é considerada turismo saudável pelos alemães. Dica para os viajantes: vá com pouca mala. Tem muita subida na ilha e pode ser muito cansativo carregar tudo até o hotel.



Mas ai vai depender também do seu estilo de viagem. Para os que gastam mais, os melhores hotéis estão na beira da praia. Não precisa andar muito, porem são bem mais caros. Já pelo miolo da ilha estão os Guesthouses, que para quem não sabe são pessoas que alugam os quartos da casa, como se fosse um hotel. Além de ser mais em conta, é bem gostoso também, com Wi Fi grátis (isso é importante) e café da manha incluso. 

Eu recomendo essa viagem para quem quer relaxar. Não existe muita agitação na ilha e quando a noite chega fica uma delícia. Tudo muito calmo, silencioso e com aquele cheirinho de mar. Uma ótima opção é escolher um restaurante e aproveitar. Uma das melhores coisas da ilha é que os preços até assustam, principalmente pelo tamanho dos pratos. Eu pagava em torno de 6 euros por pratos vegetarianos imensos. Foi a melhor comida vegetariana que eu já comi.




Acho que a parte mais importante ao planejar uma viagem pra Helgoland é prestar atenção na previsão do tempo. O mar do norte é imprevisível e pode mudar a qualquer segundo, então pra minimizar os estragos é melhor pesquisar a melhor época e ficar de olho no tempo. Eu não tive muita sorte nessa parte da viagem. Logo no primeiro dia começou a chover muito e no dia de ir embora passei por um dos maiores perrengues da minha vida. Mas isso fica para um próximo post.

No próximo vou falar sobre os passeios por lá e sobre o trabalho que fui fazer! Não percam!!




Outro link útil para planejar sua viagem: http://www.helgoline.de/

Friday, March 7, 2014

Lebres - Por trás da foto

Quando fui à procura de coelhos para fotografar acabei descobrindo que pertinho de onde eu passo todos os dias era possível encontrar lebres. Peguei todas as informações possíveis sobre como fazer para vê-las, afinal eu nunca tinha visto uma lebre na Europa, só algumas pegadas enormes na Polônia. E já logo preparei minha câmera. Assim como acontece com todos os animais, eu fiquei doida para encontra-las.

Para quem conhece Stuttgart fica fácil explicar. Pega um trem até Bad Cannstatt e um U-Bahn (ou pode ir a pé mesmo) até o Rosenstein Park. Esse parque fica na frente do zoológico Wilhelma e é bem famoso entre os alemães e turistas. Isso porque é uma enorme área verde, com vários lagos distribuídos por toda sua extensão. Os animais como patos, gansos, corvos, passarinhos, papagaios, esquilos “andam” todos livres tornando a visita muito mais agradável. Eu particularmente só vou para o parque para ver os animais. Mas, principalmente durante o verão, o parque fica lotado com pessoas do mundo inteiro fazendo pic nic, churrasco, slack line e aproveitando o sol.

Em uma parte mais afastada do parque, bem no meio de uma praça, o mato fica muito alto e é exatamente lá que eu encontrei algumas lebres. Andando de bicicleta pelo parque inteiro eu demorei um pouco para acha-las, mas assim que cheguei nessa parte já deu para ver um par de orelhas por cima do mato.
Parei a bicicleta e fiquei esperando alguma delas sair. Mas, sabia que isso não ia acontecer.



Como estava no verão eu tive sorte de ter luz o dia inteiro. Costuma anoitecer entre 9 e 10 da noite em Stuttgart no meio do ano. Não precisei de flash ou qualquer tipo de iluminação artificial. Só ajustei a velocidade alta (porque é inacreditável a velocidade que esses bichos correm) e fui atrás. Só vi uma vez uma lebre patagônica, na Península Valdéz e não consegui nenhuma foto, porque ela corria mais que o carro que apareceu.

O engraçado de procurar lebres é que elas são muito atentas a qualquer barulho, porem elas não percebiam que as orelhas ficavam para cima do mato. Era uma visão engraçada, parecia desenho animado, só as orelhinhas se mexendo.



Eu fui andando bem devagar pelo mato alto, até conseguir avistar uma lebre que estava paradinha e deitada, só olhando para mim. Eu abaixei e tirei duas fotos dela. Comecei a me aproximar mais e percebi que ela estava travada de medo. Os olhos estavam arregalados e ela não saiu correndo, não entendi por que. Fiz mais duas fotos e percebi que eu podia me aproximar mais, só que eu fiquei com dó e recuei. Ela estava com tanto medo que minha consciência pesou de assustar mais ela e eu sai de perto. Ela continuou lá deitadinha, mas algum tempo depois deu para ver as orelhas em pé de novo, para verificar se eu não estava mais por perto.



Decidi ir embora e voltar outro dia. Não sou a favor de estressar os animais só para conseguir foto. Mas, na próxima eu já montei uma estratégia de esconderijo, assim elas não vão me ver e eu vou conseguir mais fotos. Quando eu conseguir vou postar o plano aqui e as fotos.

Friday, February 28, 2014

A casa dos ossos em Hallstatt

Deixamos um curioso lugar para visitar no último dia em Hallstatt; a casa dos ossos (Beinhaus). Eu não sabia ao certo do que se tratava, nunca tinha visto fotos. Me pareceu um pouco sinistro, o que só aguçou ainda mais a curiosidade.

A cidade de Hallstatt é muito pequena, e consiste em apenas uma rua principal que cruza a cidade de ponta a ponta. De um lado o enorme lago Hallstätter See e do outro as montanhas. Hallstatt não tem espaço para maiores construções, sejam de casas ou até mesmo de cemitérios. E exatamente por isso que surgiu o ossário.

Ao lado da Igreja Paroquial Católica está localizado o pequeno cemitério da cidade. Em mais ou menos 30 passos você percorre o cemitério inteiro. Apenas esse pequeno espaço não seria capaz de suportar todos os antigos cidadãos de Hallstatt e por isso só os falecidos recentes estão enterrados.
Já sem espaço, os antigos corpos foram desenterrados, secos ao sol para branquear e depois pintados com o nome da família ou flores, folhas e cruzes.






A sala dos ossos é bem pequena e os crânios ficam enfileirados em prateleiras superiores ao redor das paredes, enquanto que no chão, estão amontoados o restante dos ossos dos corpos. 

Embora não faça meu estilo de passeio, eu gostei muito de conhecer o Beinhaus. Vale muito a pena fazer uma visitinha. Já o cemitério eu achei o mais lindo que eu visitei, principalmente pela vista incrível das montanhas ao redor. Além de ser bem cuidado, com muitos canteiros florais em volta dos túmulos.




Para ir embora da cidade eu tinha que pegar o barco de volta para a estação de trem, mas como tudo por lá é muito bem organizado, os horários do barco eram todos 15 minutos antes dos horários do trem, assim ninguém ficaria esperando sem nada para fazer na estação. Isso me deu tempo de fazer mais algumas trilhas pela parte de trás da cidade.














Quem não iria gostar de ter uma casa de montanha em Hallstatt?? Eu não reclamaria!!

Sunday, February 23, 2014

Hallstatt - Conhecendo uma das vistas mais lindas do mundo

O segundo dia em Hallstatt amanheceu com o maior sol. Estava frio, mais ou menos 1 grau, mas o sol ajudou a esquentar e deixar a paisagem ainda mais incrível, já que era o dia de subir até o topo da montanha da cidade.

Como foi uma viagem surpresa, eu não sabia nada sobre a cidade, mas nesse dia descobri que Hallstatt possui uma das vistas mais lindas do mundo, sendo Patrimônio Natural da humanidade, segundo a UNESCO.



Para subir os visitantes tem duas opções, ou caminhando montanha acima, ou através de um “teleférico-bondinho” chamado de funicular. Claro que optamos pela opção do funicular, afinal eu estava carregando minha mochila com equipamento fotográfico que é bem pesada e já que tinha um jeito mais rápido e leve de chegar lá em cima, porque não né?

Saindo do guesthouse, andamos na beira do lago e fomos até a base da montanha. Não vi o funicular subindo ou descendo e comecei a achar estranho. E o que eu temia, aconteceu! Como era feriado, nada estava aberto aquele dia. Nem mesmo o restaurante no topo da montanha.
Não conhecer a famosa vista de Hallstatt não estava nos planos, então seguimos a pé pelo longo caminho inclinado.





Achei muito confusa a trilha até o topo. Ela começa em uma subida cimentada, com a floresta de um lado e a vista do lago e as montanhas do outro. Andamos meia hora nessa trilha e vimos várias pessoas já no meio do caminho subindo. Começamos a achar estranho quando uma pessoa que estava atrás de nós, de repente já estava lá no alto (vimos o pontinho da blusa vermelha dele).

Encontramos um caminho que subia para a montanha, mas estava bloqueado e com uma placa dizendo “perigo de morte”. Decidimos não subir, mas estava muito estranho, pois não tinha caminho em lugar nenhum. Seguimos reto, sempre reto.. Até chegar a uma subida pela floresta. Entramos e começamos a subir.
Durante o caminho eu encontrei a entrada para a mina de sal mais antiga do mundo. Não sei se vocês sabem (eu descobri isso dentro de uma loja comprando potinhos de sal), mas Hallstatt significa “Cidade de sal”. Não consegui fazer o passeio na mina, pois estava fechada pelo feriado.


Ao todo a trilha demorou duas horas e meia. É muito cansativa e no final ainda tem um lance de escadas que acabou comigo. Mas foi uma das trilhas mais lindas que eu já fiz na vida. Encontramos cachoeiras pelo caminho e a visão das montanhas nevadas por trás das enormes árvores era incrível!!! Foi mais um dos meus momentos sentimentais que eu percebi que sem natureza eu não vivo!!!




Mas a beleza natural de Hallstatt não para por aí. Eu finalmente entendi porque falam tanto do topo dessa montanha. A foto pode falar mais do que eu nesse caso!






Na hora de descer, decidimos ir pelo “caminho da morte” (aquele caminho que estava bloqueado com a placa de perigo). Enquanto estávamos no topo eu vi várias pessoas subindo por aquele caminho e fiquei curiosa. Descemos por ele e por acaso, é menos perigoso e mais rápido do que o caminho que fizemos. Não entendi porque estava bloqueado, mas pode ser porque encontramos uma árvore caída no meio.




No final eu agradeci pelo funicular não estar funcionando, senão eu teria perdido essa caminhada incrível. Mas, para quem quer conhecer e não quer andar, eu recomendo pesquisar antes no site oficial de Hallstatt os horários de funcionamento da cidade.

Aqui: http://www.hallstatt.net/home-en-US/

O site com mais informações da mina de sal de Hallstatt:  http://www.salzwelten.at/en/hallstatt/saltmine/

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