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Thursday, October 30, 2014

Oostvaardersplassen - A Reserva Natural mais importante da Holanda

Há três anos eu comecei minha pesquisa para programar um mochilão pela Europa. A intenção era conhecer as principais reservas ecológicas e projetos de conservação. Os planos ainda estavam no inicio e eu só tinha alguns nomes marcados na minha agenda, quando parti para a minha primeira expedição fotográfica na Patagônia Argentina.


Essa foi a primeira vez que fiquei hospedada em Albergue e conheci pessoas do mundo inteiro. Uma das meninas que eu conheci era Holandesa e eu conversei muito com ela, pois um dos lugares que eu mais gostaria de conhecer na Europa era a Reserva Oostvaardersplassen, na Holanda. Mas ainda não tinha nem ideia de onde era ou como chegar.

Quando perguntei sobre o lugar ela me olhou com espanto e disse que não entendeu porque eu queria ir, já que lá era “um grande nada”. Segundo as palavras dela: “nem é tão bonito”, “não tem nada para ver”, “não tem animais, não tem vida”, “é uma paisagem plana, sem graça”, “se eu fosse você eu não perderia tempo”.
Fiquei decepcionada e deixei Holanda no final da lista. Até que final do ano passado eu vi o trailer de um documentário que foi gravado durante as quatro estações em Oostvaardersplassen. O nome é The new Wilderness e na mesma semana eu já pesquisei e planejei minha viagem, que aconteceu em fevereiro desse ano (2014).

Veja você mesmo o trailer e tire suas próprias conclusões se a menina Holandesa conhecia bem o próprio país.



Oostvaardersplassen

Oostvaardersplassen foi uma área foi destinada para a indústria, mas como foi esquecida durante um bom tempo, algo inesperado aconteceu. Grandes massas de água se acumularam e a natureza agiu sozinha, surpreendendo a todos quando se tornou uma das mais importantes reservas da Europa. Foi declarada Reserva Natural em 1968. 


A reserva é dividida em duas partes, a seca e a úmida e abrange uma área de 5.600 hectares, 3.700 ha para a parte pantanosa e 1.900 ha para a parte terrestre. A parte seca é habitat dos grandes herbívoros; bovinos, veados e os cavalos konik.



Com a área esquecida pelos humanos e em desenvolvimento pela natureza, os primeiros animais que chegaram a Oostvaadersplassen foram os Gansos bravos (Anser anser). A visita anual dos gansos bravo a Oostvaadersplassen ajudou a natureza a criar a área ideal para reprodução de muitas outras espécies, animal e vegetal. Eles são o chamado de “espécies chave”, ou espécies que possuem um grande efeito sobre uma determinada área.  Em nenhum outro local da Europa é possível encontrar uma espécie chave com tamanha eficácia.

 
A forma de alimentação do ganso bravo, pastoreando a região, acabou por deixar a área menos densa, com lagoas mais abertas, beneficiando muitas espécies e criando um elo com os herbívoros que antes possuíam um acesso restrito a reserva. Agora com áreas mais amplas, outra espécie chave de Oostvaardersplassen poderia desempenhar seu importante papel, os cavalos Konik.



Oostvaardersplassen nunca foi uma área residencial ou habitada por humanos. E desde o começo surpreende as pessoas com o seu desenvolvimento inédito de forma mais pura, praticamente impossível em qualquer outra região da Holanda.

A reserva é supervisionada pelo Estado Holandês de serviço florestal e qualquer intervenção na natureza é proibida. Todos os anos milhares de turistas e fotógrafos visitam a reserva natural, mas por ser uma área pantanosa e cercada, a distância é grande entre as pessoas e os animais. Mais um motivo da grande preservação dessa área.

Em apenas um dia de passeio em torno da reserva, eu avistei mais de 70 espécies de aves, raposas vermelhas, veados, cavalos Konik, esquilos e anfíbios. E também presenciei as maiores revoadas da minha vida.








Aliás, as cenas preferidas dos turistas em Oostvaardersplassen são as incríveis revoadas. Aves de todas as espécies voam juntas, na mesma direção, deixando todos surpresos com o barulho que fazem e a beleza que deixam.

Como chegar

O acesso à reserva natural de Oostvaardersplassen é fácil. Localizada na província de Flevoland, entre as cidades de Lelystad e Almere, a 40 minutos de Amsterdam. A reserva cobre uma área de 56 metros quadrados e embora o acesso seja fácil, a locomoção pelo parque é praticamente impossível sem um carro, ainda mais para os que procuram diferentes espécies de animais.

Eu contratei um guia birdwatcher da empresa Flevo Birdwatching para me pegar de carro na estação “Almere Buiten Station” e me levar para procurar o maior número de animais possível.

Direções: Compre o ticket para Almere Buiten Station. O trem sai da plataforma 11B, em direção a Zwolle. A viagem de trem dura 39 minutos.

Monday, October 20, 2014

Amsterdam - Dicas de viagem

Amsterdam é um dos destinos mais famosos da Europa, e também não é uma das cidades mais caras. Os preços são medianos, e comparando com outras viagens pela Europa, como Alemanha, Áustria e Espanha os preços estavam bem semelhantes e acessíveis para uma viagem barata.


Na cidade você tem inúmeras opções de passeios. Museus, baladas, Red Light District, Coffeshops e até mesmo pegar um trem e conhecer as cidades pequenas ao redor. Vale muito a pena, pois o trem é barato e a Holanda é um país lindo!

Passagem até Amsterdam

Dependendo de onde você estiver na Europa, compensa mais pegar uma passagem de trem do que ir de avião. Eu comprei o ticket na DB (Deutsche Bahn) saindo de Stuttgart e parando na estação central de Amsterdam. A viagem durou cerca de 7 horas e foi bem tranquilo. Mas, fomos parados pela imigração no trem, onde pediram passaporte, anotaram número, ligaram pra central pra ver se estava tudo certo e fizeram várias perguntas. Paguei 150 euros, ida e volta.

Já para ir de avião, existem várias companhias aéreas de baixo custo, como por exemplo, a Ryanair. Mas, ás vezes viajar com uma companhia low cost, pode sair mais caro do que você pensa. Isso porque elas costumam operar nos aeroportos menores, que quase sempre são mais longe das cidades principais. Em Amsterdam um voo da Ryanair para no aeroporto de Eindhoven, que fica uma e meia de Amsterdam.

Transporte

O jeito mais fácil e rápido de sair do aeroporto de Schipol é pelo Direct Rail Link. Um trem que liga o aeroporto à estação central de Amsterdam. O ticket custa 3,40 euros e tem duração de 20 minutos. Da estação central você tem a opção de pegar outro trem até próximo ao seu hotel, ou bonde, ou dependendo da quantidade de malas, um táxi.



Museus em Amsterdam

Para quem gosta de museu, Amsterdam é perfeito. É a cidade com a maior densidade de museus do mundo, com mais de 60.  Além da quantidade, o interessante é a diversidade, como por exemplo, a Casa de Anne Frank, o Museu do Sexo e o Museu Van Gogh. Tem para todos os gostos.

O custo médio de entrada em cada museu é de 10 a 15 euros, mais o transporte público até o lugar. Então, o recomendado é comprar o i amsterdam city card, que incluiu a entrada nos museus e outras principais atrações de Amsterdam, transporte público ilimitado e até mesmo um cruzeiro pelos canais. Você pode escolher a validade entre 24, 48 e 72 horas, e custa 42, 52 e 62 euros respectivamente. Aqui no site tem todas as informações: http://www.iamsterdam.com/



Coffee Shops

Não confunda os Coffee Shops de Amsterdam com um simples lugar para tomar café, como em outros lugares. Os Coffee Shops existem desde os anos 70 na Holanda, e são os lugares onde você encontra maconha para vender.



Como funciona: como se fosse um Café normal, até porque eles vendem café também, mas ao invés de um cardápio de comida você recebe um cardápio com todos os tipos de maconha para escolher. Se estiver com fome e quiser um doce pra acompanhar, tem a opção de comprar o Space Cake, que são brownies com Haxixe. Nos Coffee Shops é proibido vender bebida alcoólica.

Mas, não pense que na Holanda o uso de drogas é legal. Isso só foi feito como resultado de uma política de drogas mais tolerante, para diferenciar o usuário recreativo, facilitando o combate ao tráfico. Aqui algumas dicas sobre as leis:

- A posse de maconha não é legal e você pode levar punição se a polícia te parar. Se for mais que 5 gramas você pode ir preso, mas se for menos a polícia só vai pegar a maconha e você está liberado.

- Tolerância zero para menores de 18 anos. É proibida a entrada de menores nos Coffee Shops e carregando qualquer quantidade de maconha.

- Drogas pesadas também não estão inclusas na política de drogas mais tolerante. É proibido.

- É proibido fazer plantação de maconha.

- Você não pode fumar maconha em público. Mas, pode dentro dos Coffee Shops ou nos albergues.

Outros passeios

Para quem, assim como eu, viaja no estilo Low Cost, um ótimo jeito de se locomover por Amsterdam é de bicicleta. Alugar uma bicicleta sai em torno de 10 a 15 euros por 24 horas.




Não precisa visitar museus e nem entrar em Coffee Shops pra se apaixonar por Amsterdam. Passear entre os canais, tanto de dia quanto de noite é muito gostoso e já vale toda a viagem!!!

Wednesday, October 15, 2014

Amsterdam - Red Light District

A primeira viagem de 2014 foi para Amsterdam. Um lugar que eu já queria conhecer desde que me mudei para a Europa, mas a viagem era sempre adiada por algum motivo.

Dessa vez não tinha mais desculpa e assim que voltei das férias em Campos do Jordão, no Brasil, eu comprei minha passagem de trem. Adoro quando consigo passagens baratas de trem por aqui, assim consigo levar minha mochila (que não é leve) sem me preocupar com peso extra.


A parte difícil do planejamento foi escolher um albergue. A princípio foi fácil, achei uma lista no Google de albergues e hotéis, todos pareciam apresentáveis e tinham água quente. Porém, comecei a ler comentários e review sobre cada um deles e todos, sem exceção, tinham reclamações de ratos e sujeira nos quartos. Demorei mais de uma semana e quase desisti, até que um amigo do meu namorado indicou o nome do albergue que ele ficou e achou ótimo.

E não me arrependi. Ficamos no Flying Pig Hostel, em quarto compartilhado com 10 camas. O quarto e banheiro são limpinhos, água quente, ambientes confortáveis e o mais legal era o bar/restaurante ao lado da recepção. Tudo naquele estilo Pub, com música de fundo e no final da tarde todo mundo descia para beber e fazer o esquenta pré balada. Achei interessante que todo lugar em Amsterdam tem a parte exclusiva para os fumantes de maconha e é a cena mais normal do mundo ver alguém enrolando um baseado.

Primeiro dia na Holanda foi cansativo. Sem dinheiro para o táxi e carregando duas mochilas pesadas, uma nas costas e outra na frente, lá fomos nós andar até o albergue. Uma hora e meia depois, chegamos, e a primeira coisa a fazer foi pegar informações e mapa sobre o transporte público.

O Transporte público em Amsterdam é muito bem organizado e você tem a opção de Trem, Bonde (estilo U-Bahn da Alemanha) e ônibus. Aqui nesse site você pode achar mais informações sobre os horários de trem: http://www.gvb.nl/pages/home.aspx. Os ônibus apesar de mais baratos, são limitados, com um trajeto restrito. Por isso, o melhor a fazer, é pegar um mapa assim que chegar.

Amsterdam é exatamente como todo mundo fala. Uma loucura.. literalmente. Eu adorei e moraria fácil nessa cidade. Achei os holandeses super simpáticos e a cidade, apesar de movimentada, me agradou muito. Quem me conhece sabe que sou muito difícil de gostar de cidades grandes, mas Amsterdam chamou minha atenção com todo aquele charme de cidade pequena.

Claro que logo na primeira noite fomos até o famoso Red Light District. Para quem não sabe na Holanda a prostituição é legalizada. As garotas de programa são consideradas trabalhadoras como qualquer outra pessoa, com direito a seguro médico e tudo mais. Pode parecer estranho, mas foi um jeito de controlar e deixar essa atividade mais segura, tanto para as garotas como para os marmanjos.


O nome Red Light District não indica só esse bairro em Amsterdam (apesar desse ser o mais famoso), mas também outros pontos de prostituição em outros países. E esse nome se deve ao fato de todas as cabines possuírem luz vermelha. Aqui mesmo, na minha cidade, tem um caminho de luzes vermelhas em uma avenida do centro indicando o caminho para o Red Light District daqui.



É interessante caminhar por esse bairro, e chega a ser engraçado também. Eu fui duas vezes ao mesmo dia. Uma ainda estava de dia, portanto tinham poucas garotas nas vitrines, e nesse momento eu até me assustei, pois só tinham vovós. Sério, não estou exagerando.. pensa na sua avó pelada, mostrando o corpo numa vitrine com luz vermelha (ou melhor: não pensa). “Isso não pode ser sério” foi a primeira coisa que veio na minha cabeça. E meu namorado querendo ver as Holandesas loirinhas se decepcionou.

Assim que anoiteceu decidimos voltar, até porque o clima noturno do bairro Wallen muda tudo. A rua não possui só as vitrines, mas também diversas boates de strip tease ou sexo ao vivo. Dei uma olhada nos preços e a entrada estava em torno de 50 euros. Muito caro, ainda mais para nós que gostamos de gastar 3 euros em cada refeição. Assim que anoitece é quando as vitrines ficam lotadas de garotas, algumas muito bonitas. E até vimos um cara saindo de uma das vitrines e alguns metros à frente entrando em outra.

Tentamos tirar fotos, mas já vi relatos que é proibido tirar foto e que existem seguranças disfarçados na rua que já quebraram celular de turista que estava filmando. Então a única coisa que saiu foi esse borrão vermelho. Depois disso ficamos com medo de tentar de novo.


Tudo no bairro de Wallen é relacionado a sexo. E todas as lojas de souvenires têm todos os tipos de lembrancinhas sexuais. Desde camisinhas de todas as formas, cores, tamanhos, que brilha no escuro, com desenho e afins, até canecas sexuais, camisetas e brinquedinhos para os casais. E claro, toda loja tem aquele cachimbo básico. Ou melhor, aquela infinidade de opções de cachimbos.


Mas também existem muitas baladas normais, sem sexo ao vivo ou prostituição. É comum nos albergues venderem o “pacote balada”. Você paga em torno de 25 euros e vai junto com um grupo de turistas do mesmo hotel conhecer quatro baladas, com alguns drinks de graça. Eu acho que vale a pena para quem está sozinho e quer curtir.

Assim que chegamos do Red Light District, fomos para o bar do albergue, beber cerveja. Tinham só quatro tipos de cerveja e como meu pai está estudando para ser um mestre cervejeiro, eu decidi experimentar uma de cada. A vencedora não só da noite, como a mais gostosa que eu já tomei, foi a Hoegaarden.



Como dia seguinte eu tinha que acordar as 5 da manha para ir trabalhar em outra cidade (outro post vou falar sobre isso), eu não fui pra balada, e logo depois da cerveja fui capotar na cama.

Obviamente Amsterdam não se resume só ao bairro do Red Light District, prostituição e maconha. Essa cidade é MUITO mais do que isso, me encantou de todos os jeitos. E nos próximos posts vou falar mais sobre ela!!

Tuesday, October 7, 2014

O meu mar em Fúria - Helgoland

Meu último dia em Helgoland foi marcado por chuvas, vendavais e trovoadas. Tentei aproveitar os únicos momentos de sol em Lange Anna, mas 20 minutos depois tive que sair correndo e me abrigar em algum lugar. 




Viagens de baixo custo costumam ter bastante desconforto e nesse dia tive que fazer o check out do Guesthouse às 10 da manha e o horário do barco era só às 5 da tarde. Sem ter onde ficar ou que fazer, eu procurei um lugar coberto para sentar e esperar. O frio estava absurdo e a espera foi uma eternidade.
Finalmente entrando no barco, fui para o restaurante e procurei um sofá pra sentar e aproveitar duas horas de conforto até o continente. Mas, o que aconteceu foi um dos piores perrengues da minha vida.



O barco começou a balançar forte, logo no começo da viagem. Como estávamos no primeiro andar, a janelinha quase entrava toda dentro da água de tanto que o barco virava. Eu aproveitei e fui para a parte de fora fazer algumas fotos. Até então eu estava achando divertido, até porque meu namorado começou a ficar paranoico falando que o barco ia virar e nós tínhamos que ir pra um lugar fácil de pular na água se caso algo acontecesse. Achei engraçado o drama, mas depois quem deu show fui eu!

Consegui fazer algumas fotos da Ilha, mesmo com o balanço do mar. O céu estava uma mistura de azul com preto, a chuva estava ralinha e um lindo arco-íris se formou. Mas as ondas estavam cada vez maiores e começou a invadir o barco. Era impossível andar sem ser jogado para o lado e cair em cima de todo mundo.






Assim que desci para guardar minha câmera, senti a tontura e os primeiros sinais do meu estômago. Nesse momento eu já sabia que ia ter problemas.

Normalmente eu passo mal em embarcações, então eu sempre tomo algo para evitar enjoos e sempre dá certo. Dessa vez eu não tomei nada, pois a ida tinha sido tranquila e eu esqueci. Ainda por cima eu decidi tomar um café assim que entrei no barco. Inocente e trágico erro! Nunca façam isso!

Não demorou nem 10 minutos para eu correr para o banheiro e vomitar litros. Mas o balanço do barco era tanto que eu fui jogada de um lado para o outro da cabine do banheiro e acabei vomitando em tudo!!!!

Saí e me joguei no sofá. Depois de alguns segundos foram mais umas duas idas para o banheiro.
Pelo menos 50% das pessoas que estavam no barco (eram muitas) estavam vomitando também. Todas na parte de cima, no último andar do barco, onde todas as janelas estavam abertas e o vento e o frio ajudam a diminuir o enjoo. Corri pra lá. Ou melhor, fui carregada por um marinheiro e pelo meu namorado.

Para não estender muito nos detalhes nojentos, só resumo que eu vomitei muito mais ainda. Todo mundo estava usando aqueles sacos de papel, especial pra essas ocasiões. Eu devo ter usado uns três ou quatro.
O problema de passar mal é que eu estava perdendo o controle do meu corpo, minha cabeça estava começando a girar e quando isso acontece eu começo a ficar nervosa. Meus braços começaram a formigar e minhas mãos fecharam em formato de punho e travaram. Eu não conseguia mais abrir as mãos.

A situação começou a me deixar mais nervosa ainda quando eu não consegui mais segurar os sacos e precisei de ajuda pra vomitar. Minha mão estava travando cada vez mais e começando a doer porque a unha estava fincada na palma da mão.

Um dos marinheiros, que eu já tinha conversado antes, viu minha situação e foi me levar um pouco de água com gás pra beber. Eu tentei explicar a situação pra ele, naquela hora não queria sair nem alemão e nem inglês. Mas assim que ele pegou minha mão e viu o estado (estavam duras) ele ficou preocupado e foi chamar mais gente.

Cinco homens apareceram pra me socorrer. Como ele só tinha visto meu braço esquerdo, o cara pensou que eu estava tendo um ataque do coração. Me colocaram deitada em um banco, com pernas e braços pra cima e começaram a fazer trilhões de perguntas sobre a minha saúde e se eu tinha problema de coração, qual medicamento tomava e por ai vai. Disse que não tinha problema nenhum, então eles começaram a tentar abrir as minhas mãos.

O bom dessa parte é que o enjoo estava melhor, a água com gás realmente fez bem e me senti aliviada. Depois de uns 5 minutos, dois homens que estavam segurando minhas mãos conseguiram abri-las e ficaram segurando pra não fechar de novo.
Todo mundo muito simpático e até o capitão do barco veio falar comigo e ver se estava tudo bem. Eles ainda estavam achando que era um ataque do coração.
Depois disso comecei a me sentir melhor cada vez mais e sempre vinha alguém perguntar se eu estava melhor.

Para vocês terem noção do quanto eu estava ruim: minha mochila com todo meu equipamento fotográfico estava sozinha no primeiro andar do barco, jogada em um sofá, sem cadeado e nem nada. Eu nunca desgrudo dela e dessa vez eu não tinha forças nem pra lembrar que alguém poderia roubar algo. Por sorte só tinha alemão dentro do barco!

Quando finalmente cheguei em casa, foi necessário uma semana só comendo e dormindo pra me recuperar dessa. Não tenho nem ideia do que aconteceu comigo, alguém tem algum palpite??

Saturday, October 4, 2014

Helgoland - Lange Anna e Düne

Apenas 70 km do continente, Helgoland parece um pontinho perdido no meio do mapa. Mas vale a pena enfrentar a turbulência do mar norte para ver de perto as belezas naturais que a ilha oferece.

Fazendo as minhas pesquisas para a viagem eu achei alguns sites dizendo que precisava de visto para entrar na ilha. Brasileiros não precisam de visto para entrar na Alemanha e podem permanecer por no máximo três meses como turistas. Mas para Helgoland precisava de visto, pode ser de estudante ou mesmo um visto de residência. Eu não me aprofundei nesse assunto, pois não preciso de visto, mas fui preparada com passaporte e em nenhum momento ninguém pediu meus documentos, ou passamos por qualquer tipo de controle dos turistas.

Helgoland é pouco conhecido entre os turistas e na ilha quase ninguém fala inglês, basicamente é a casa de verão dos Alemães. Pode ser que dependendo da época e se a ilha estiver muito cheia eles façam algum tipo de controle de quem entra. Vale a pena pesquisar para não perder a viagem.

Apenas cinco minutos de barco de Helgoland, está localizado Düne; uma ilha ainda menor e mais isolada, onde as focas, com todo seu sedentarismo escolheram como casa definitiva. Longe de qualquer perigo, as focas cinzentas e focas comuns vivem juntas, dividindo apenas uma parte da praia.


 



Basta uma caminhada pela Ilha de Düne, para ver a maior concentração de focas cinzentas e focas comuns da Alemanha. Quem ouve essa frase, logo pensa em filhotes gordinhos e fofinhos, e é justamente isso que irá encontrar, dependendo da época do ano. Fui em setembro e vi vários bebezinhos lindos.

A Alemanha tem se tornado um local atrativo para as focas e durante os últimos dez anos sua população teve um aumento significativo no país, resultado de muito esforço de conservacionistas e biólogos.
As águas ao redor de Helgoland receberam o titulo de Reserva Natural (Naturschutzgebiet Helgoländer Felssockel) servindo como um berçário para as mamães que vão para se reproduzir. Junto com uma das estações de reabilitação e pesquisa de focas na Alemanha, a Seehundstation Friedrichskoog, especialistas monitoram as populações de focas constantemente, faça chuva ou faça sol, para catalogar novos filhotes ou levar para a reabilitação animais machucados e doentes. A intenção é que a população de focas na Alemanha aumente cada vez mais.



Atualmente, cada filhote que nasce recebe um nome e é motivo de comemoração entre os especialistas e viram até notícia de jornal.

Para ir até Düne é fácil; só pegar um barco no píer de Helgoland. O ticket de ida e volta custa 7 euros e os barcos saem de meia em meia hora. Mas tem que prestar atenção, pois o último barco sai às 6 da tarde.
Com várias trilhas no meio da vegetação e muitos lugares calmos na praia no meio das focas Düne é o lugar perfeito para quem gosta de natureza.
Mas esse não é o lugar mais famoso da Ilha. Quando se menciona o nome Helgoland na Alemanha logo o assunto entra em Lange Anna.

Quando disse pro meu avô (que é alemão) que eu ia fazer essa viagem, a primeira coisa que ele me disse foi “Vai para Lange Anna, é cheio de pássaros”! É a família inteira me conhece bem!
Depois de ouvir umas três vezes que eu ia amar as aves de Lange Anna eu comecei a ficar desesperada pra viagem chegar logo!



Lange Anna é considerado a menor Reserva Natural da Alemanha, e consiste em uma rocha de 47 metros erguida no mar, em frente a um enorme rochedo de Helgoland. Não é permitido subir no rochedo de Lange Anna, mas após fazer uma trilha bem demarcada, os visitantes podem ficar cara a cara com a rocha, e ver de perto as aves, que de tímidas não tem nada. Durante diferentes épocas do ano as aves marinhas encontradas em Lange Anna são: Arau comum (Uria aalge), Torda mergulheira (Alca torda), Gaivota (Rissa tridactyla), Fulmar glacial (Fulmarus glacialis) e o Ganso Patola (Morus bassanus).



A espécie mais fácil de observar durante o ano inteiro é o ganso patola. Uma ave por vezes desengonçada e engraçada, por vezes com olhar intenso e determinado, mas no geral muito fotogênica e ao que pareceu adora posar na frente da câmera.

 






A caminhada até Lange Anna não é longa e pode ser bem prazerosa. No meu caso tudo relacionado a essa viagem foi tenso. Choveu desde o dia seguinte que eu cheguei à ilha e por ser localizada no meio do mar do norte os ventos são extremamente fortes.



Eu consegui ir duas vezes para Lange Anna, a primeira vez o tempo deu uma brecha e eu consegui alguns momentos de sol, mas na segunda eu quase fui levada pelo vento e tive que ir embora correndo por causa da forte chuva e do frio. Mas os poucos momentos que eu passei lá valeram a pena e fizeram eu me apaixonar pelo ganso patola, que hoje é um dos meus animais favoritos e estou sempre procurando colônias deles pelo mundo afora.

Para saber mais sobre biologia dos animais, conservação das focas e como foi viajar para Helgoland para encontrar eles de pertinho, veja minha matéria na Revista Terra da Gente edição de maio de 2014. Aqui o link: http://www.revistaterradagente.com.br/noticias/NOT,0,0,948059,Fofa+e+Protegida.aspx

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